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| Foto: ANDREW MEDICHINI/EFE/EPA/POOL |
Papa Leão XIV diz manter autorização feita pelo seu antecessor mas não pretende ampliar esse tipo de benção.
Francisco autorizou em 2023 os padres a darem bênçãos informais a casais do mesmo sexo e fora de rituais. Isso gerou grande repercussão e diante do posicionamento inédito para o papado, bispos de alguns países se recusaram a permitir a aplicação da orientação. O Papa Francisco passou 12 anos a frente da Igreja e faleceu em 2025.
O atual pontífice elogiou a decisão, mas afirmou que o Vaticano não pretende ampliar esse gesto dentro dos rituais oficiais da Igreja. "Para ir além disso hoje, acho que o assunto pode causar mais desunião do que unidade", disse em entrevista a jornalistas em um voo papal de Malabo para Roma em 23 de abril de 2026.

A igreja Católica ensina que relações fora do casamento entre homem e mulher são consideradas pecado e orienta que pessoas do mesmo sexo vivam em castidade.
O papa afirmou que o Vaticano faz distinção entre acolher as pessoas e reconhecer formalmente determinadas uniões, para explicar a posição pastoral da Igreja sobre o tema. A referência feita no passado pelo Papa Francisco, segundo Leão XIV, a bênçãos para todos dizia respeito â bênçãos gerais concedidas no fim das missas ou de grandes celebrações religiosas, dirigidas indistintamente aos fiéis presentes.
Para o pontífice, a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. De acordo com o Leão XIV, existem temas morais mais amplo e urgentes, como justiça, igualdade, liberdade de homens e mulheres e liberdade religiosa, que deveriam receber prioridade no debate público da Igreja.
A doutrina Católica estabelece que o matrimônio é exclusivamente a união entre homem e uma mulher e possui dois objetivos inseparáveis: o bem dos próprios cônjuges e a transmissão da vida. Segundo a Catholic News Agency, o Catecismo da Igreja Católica afirma que esses dois valores do casamento não podem ser dissociados.
Opinião de Grupos LGBTQIAPN+
A resposta da comunidade LGBTQIAPN+ e católicos em questão possui caráter misto:
- Ponto de Partida e Reconhecimento: Organizações como a Rede Nacional de Grupos Católicos LGBTQIAPN+ receberam a medida como um avanço histórico rumo à inclusão. O gesto valida o pertencimento dessas pessoas na vida comunitária da paróquia.
- Críticas À Limitação: Ativistas apontam que a restrição ao âmbito estritamente informal - sem direito a vestes e celebrações organizadas - sinaliza que as suas relações continuam sendo tratadas de forma secundária ou "irregular".
- Demandas por igualdade: Há cobrancas contínuas para que as lideranças alterem os trechos do Catecismo que classificam atos homossexuais como intrinsecamente imorais, argumentando que a benção sem a reforma da doutrina é apenas um paliativo pastoral.
Opinião de outros Líderes Religiosos
O posicionamento do Vaticano encontra fortes divergências tanto dentro do catolicismo quanto entre outras denominações cristãs:
Dentro da Igreja Católica
- Ala Progressiva: Líderes na Alemanha pressionam ativamente pela criação de livretos litúrgicos e treinamentos para formalizar essas bênçãos. Bispos como Dom Georg Batzing apoiam a criação de rituais acolhedores estruturados como expressão legítima do Evangelho.
- Ala Conservadora: Bispos mais tradicionais e conferências episcopais inteiras, como o do continente africano. Rejeitam de forma contundente a proposta e recusam a aplicar qualquer tipo de benção por considerá-las uma "blasfêmia" ou uma concessão do pecado.
Outras Religiões e Denominações Cristãs
- Igrejas Cristãs Liberais: Lideranças da Igreja Anglicana (Episcopal) e de ramos da Igreja Luterana que já celebram casamentos e bênçãos formais, consideram a postura de manter a informalidade excessivamente tímida e burocrática, embora reconheçam o avanço político global.
- Igrejas Evangélicas Tradicionais e Pentecostais: A maioria das lideranças evangélicas mantém oposição rígida, avaliando que qualquer forma de validação, mesmo informal e individual, distorce as escrituras e os conceitos bíblicos de família tradicional.
Razões para a bênção não ser um ritual formal
A recusa em criar ritos litúrgicos oficiais ou fórmulas aprovadas para casais homoafetivos apoia-se em três pilares fundamentais da doutrina católica:
- Proteção do Dogma do Matrimônio: O sacramento do matrimônio é definido exclusivamente como união indissolúvel entre um homem e uma mulher. A imposição de um rito formalizado geraria confusão litúrgica, assemelhando-se visual ou textualmente a um casamento religioso.
- Definição Teológica da Benção: Rituais litúrgicos exigem que o objeto abençoado esteja em estrita conformidade com os desígnios da Criação definidos pela Igreja. As bênçãos espontâneas são aplicadas às pessoas e à busca delas por ajuda divina, e não como uma legitimação do status de sua união.
- Prevenção da Desunião: A liderança do Vaticano argumenta que estender a prática para rituais formais fraturaria a unidade interna da Igreja, gerando crises políticas e cismas doutrinários profundos entre as alas progressistas e conservadoras.
Fonte: Reuters
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